Marianne netflix
Mireille Herbstmeyer, em "Marianne". Imagem: Reprodução Netflix

A série francesa “Marianne” chegou a alguns dias ao catálogo da Netflix, e com ela, toda uma expectativa de que o gênero terror seja ali oxigenado por algo que valha o clique. E embora o seriado apresente muitos pontos altos, nem tudo jogado desse caldeirão da bruxa de 1617 dá liga.

Antes de mais nada, a história:
Emma (Victoire Du Bois) é uma jovem escritora de terror que ganha fama ao criar um livro sobre uma bruxa chamada Marianne. Contudo, parece que a história secular contada ali não se trata somente de ficção. A bruxa não só existiu, como assombra Emma desde pequena.

E diante de um final polêmico, a bruxa perturbará todos ao redor de Emma a fim de que ela dê sequência em sua obra. À partir disso, serão oito capítulos buscando respostas que evitem mais assombro e mortes.

Os pontos citados abaixo são apontamentos que podem ou não incomodar os espectadores, mas destoam o suficiente para dividirem opiniões. Confira:

1 – Outra língua

Pelos mais variados motivos possíveis, algumas pessoas sentem um certo desconforto ao assistirem algo que não esteja em inglês, ainda que não dominem o idioma. E parece que esse estranhamento fica mais forte quando o assunto é se assombrar vendo séries.

Seja pela entonação, costume, insegurança na legenda, trejeitos culturais… o fato é que vários preconceitos tomam algumas pessoas ao ponto de bons projetos serem ceifados pelo controle remoto. Assim, aquele filme de terror asiático já cheira a tosco antes mesmo de você lhe dar alguns minutos de chance. Fazer o que? Nem todo mundo é Dark.

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Chance para conferir algumas coisas em francês. Ou não. Imagem: Reprodução Netflix

Em contrapartida, existem os que enxergam nessas condições oportunidades ideais para se atentarem em outras coisas. Se ligar em um palavrão em francês ou passear pelas casinhas interioranas pode ser algo que só Marianne fará por você.

2 – Alívio cômico

Existem algumas partes de Marianne em que uma certa dose de humor é enxertada a fim de dar um respiro ao supostamente acumulado clima tenso. É o famoso alívio cômico. O recurso é usado com alguma frequência em filmes/séries justamente com a intenção acima citada. Contudo, trata-se um tempero delicado que dá sabores diferentes dependendo do paladar de cada um. Prova disso é que em It 2, por exemplo, é seguro dizer que muitas pessoas riram com mais espontaneidade do que se assustaram.

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Camille (esq.), a tímida e atrapalhada assistente de Emma. Imagem: reprodução Netflix.

Por outro lado, por mais que você seja um casca dura do terror, é preciso entender que isso é democrático. Nem todo mundo assiste a Maldição da Residência Hill sozinho em casa e dorme pelado, descoberto e de papo pra cima. Assim, é preciso entender que isso pode bom para uns. Agora se isso cabe aqui ou ali, já é outra história.

3 – Efeitos especiais

Os efeitos especiais são certamente aquilo que nos convence de algo que não existe está ali. E foi um longo caminho até que o terror, que depende muito desse recurso, tivesse qualidade suficiente para nos convencer a não definir um conteúdo como trash.

Escurecemos a cara da bruxa, assista e veja se o impacto é suficiente para você. Imagem: reprodução Netflix.

E de fato, não existem ateus quando maquiadores, editores e artistas gráficos digitais combinam esforços. Contudo, para o alívio de alguns ateus, nem sempre esses esforços estão bem combinados em um projeto. Em Marianne, muita gente pode não comprar as cenas onde o demônio aparece frontalmente. Contudo, vale o argumento citado acima, tudo é uma questão de nível de coragem. Aquela bruxa ali pode render insônia para uns e risadas para outros.

4 – Somente UMA TEMPORADA

Isso não chega a ser um spoiler, mas muito provavelmente Marianne deve ter só essa temporada. Isso porque o desfecho do último episódio certamente dá um final satisfatório para a história. Cai dentro dentro daquele famoso fim, seguido de “Não. Pera.”.

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Parece que é o fim. Será? Imagem: Reprodução Netflix

Diante disso, muita gente pode se incomodar com uma série que resuma curta, ainda que tenha tanto potencial para ir além. Por outro lado, isso alegra a galera que não quer esperar anos pra ver como uma saga se fecha. Veja se você não é uma delas, e pergunte-se:
Qual série ainda está rolando e você perdeu o tesão de acompanhar?

5 – Trilha sonora

Embora muita gente não se apegue com isso, o pessoal mais ligado nesse complemento ei de concordar. Em alguns momentos, Marianne enfiará uma música (instrumental ou não) que parece fazer muito sentido para alguns. Contudo, essa costura soará totalmente destoante do que a cena procura passar.

6 – Nojo

Existem várias maneiras de se aterrorizar uma pessoa. E uma delas certamente é o nojo. Em Marianne, esse elemento é usado com alguma frequência e tende a ter sua missão bem cumprida.

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Cabelos são clássicos elementos de feitiço. Imagem: Divulgação.

Fios de cabelo, bichos mortos e urina são algumas das situações onde o nojo ajudará a perturbar o espectador. Ou não. Isso porque, mais uma vez, é tudo uma questão de nível de assombração de cada um.

7 – Situações intragáveis

Embora em muitos filmes/séries precisemos relevar algumas obviedades para embarcarmos na trama, existem algumas coisas intragáveis no seriado. Mortes não investigadas, uma celebridade que ninguém segue, uma cidade pequena onde nada repercute como notícia.

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Alguém irá morrer, e isso não abalará nem a cidadezinha de Elden. Imagem: Reprodução Netflix

De fato, nada parece ter desdobramentos ali, por mais que seja escandaloso. Embora o foco seja o terror, não dá pra simplesmente ocultar o que um escândalo nacional causaria. Tem quem ache que isso dinamiza a série, mas aí é de cada um.

Em suma, ainda que o seriado tenha lá seus relativos deslizes, as quase 6 horas que demandam a temporada valem o clique. Quem diz isso é um bruxão do terror, o mestre Stephen King. O criador de Pennywise fez questão de recomendar os franceses em seu Twitter.