Jean Smart como Laurie Blake em Watchmen (Fonte: Reprodução)
Jean Smart como Laurie Blake em Watchmen (Fonte: Reprodução)

Desde que chegou às bancas em 1986, Watchmen tem sido amplamente considerada como uma das melhores séries de quadrinhos de todos os tempos. Criada pelo escritor Alan Moore e pelo artista Dave Gibbons, a graphic novel separada em 12 edições desconstruiu todo o gênero de super-heróis e refletiu sobre a sociedade de uma maneira que normalmente não é vista nos quadrinhos. Com seu enorme sucesso e seu final ambíguo, explorar mais daquele universo se mostrou difícil.

Apesar da tarefa assustadora, tentativas de reviver o universo foram feitas. Antes de Watchmen dividiu os fãs, por ser uma prequel que acabou por mexer no cânone. Já Doomsday Clock, uma série de quadrinhos de 12 edições ambientada em 1992, tentou continuar a HQ. levando as icônicas personagens de Watchmen para o universo da DC Comics.

Mas foi na HBO que uma série live-action que acontece em Tulsa, Oklahoma, em 2019, mostrou que esse universo ainda poderia ser explorado. Aqui estão dez razões pelas quais a série HBO é uma continuação digna de Watchmen.

Assassinato e mistério

Don Johnson como Judd Crawford em Watchmen (Fonte: Reprodução)

Nas primeiras páginas de Watchmen, Edward Blake, o Comediante, é morto por um agressor mascarado e a investigação que se segue acaba por revelar tudo daquele universo. A história termina com a descoberta de um grande esquema para unir os EUA e a União Soviética, as duas grandes forças da Guerra Fria, contra um inimigo comum e evitar um apocalipse nuclear.

Assim como na graphic novel, o enredo da série HBO é desencadeado pelo assassinato de uma figura importante: Judd Crawford, chefe da polícia de Tulsa. O evento leva à descoberta de informações que podem ter conseqüências semelhantes, se não piores, para o universo Watchmen.

Tecnologia alternativa

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Apesar de ter ocorrido em 1985, a realidade alternativa do mundo de Moore apresenta tecnologia e ciência não disponíveis na realidade. Desde a nave do Coruja até uma “lula alienígena” fabricada, essas criações avançadas são usadas apenas por vigilantes fantasiados.

Na série HBO, a tecnologia está mais disponível ao público. Mas varia em seu avanço quando comparada à realidade. Em 2019, devido ao medo da tecnologia, as pessoas no universo Watchmen não estão usando ferramentas cotidianas como a Internet ou telefones celulares. No entanto, quando se trata de avanços incomuns, o público tem acesso a coisas como clonagem e hologramas.

Influência do passado

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Antes dos Watchmen (que nunca chegou a ser um grupo de verdade), existiu o grupo dos Minutemen, a primeira geração de vigilantes mascarados, que operavam na década de 1940. Devido a várias controvérsias, o grupo se desfez em 1949.

No entanto, mesmo em 1985, quando Watchmen acontece, seu impacto e influência ainda são sentidos. O mesmo pode ser dito para as personagens da série HBO em 2019, que não apenas lidam com eventos da geração anterior, mas também com acontecimentos de 1921.

Material complementar

Watchmen (Fonte: Reprodução)

No final de cada edição de Watchmen, há materiais complementares que contribuem para a história dos quadrinhos. Esses materiais variam de capítulos de um livro do universo à avaliação da psique de uma personagem, passando por recortes de revistas e jornais.

Para a série, a HBO lançou o conteúdo de construção do mundo na forma da Peteypedia, um site que apresenta documentos da mídia sobre o universo Watchmen. O nome vem do agente especial Dale Petey, historiador especializado nos vigilantes mascarados e parceiro de FBI de Laurie Blake, a Espectral II, na investigação de Crawford. Atualizado após a exibição de cada episódio, o Peteypedia aborda o espaço de 34 anos entre a HQ e a série, juntamente com os eventos atuais.

Easter-eggs

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Uma das razões pelas quais Watchmen é tão amada é a sua legibilidade, já que a HQ pode ser relida para melhor imersão nesse universo. Embalados nos painéis coloridos, há muitos easter-eggs. Sem surpresa, o showrunner Damon Lindelof e sua equipe fizeram o mesmo com a série.

Como os quadrinhos, os easter-eggs variam em importância. Algumas são referências que apenas os leitores realmente entenderiam, como o respingo de sangue icônico, enquanto outras, como o diário de Rorshach, ajudam a explicar o estado do universo pós-Watchmen. Como Moore, Lindelof acredita em recompensar os fãs que prestam atenção extra.

Narrativa não convencional

Watchmen da HBO revelou a identidade de Justiça Encapuzada (Fonte: Reprodução)

Contar histórias de forma não convencional não é novidade para Watchmen. Nas HQs, Moore utilizou flashbacks para desenvolver as personagens e o universo antes da morte do Comediante. Além disso, a narrativa de Watchmen é misturada com uma história em quadrinhos no universo chamada Contos do Cargueiro Negro e capítulos de um romance do universo chamado Sob o Capuz.

Conhecido por sua narrativa não linear na série Lost, Lindelof homenageia uma preferência que Watchmen tinha pela narrativa não convencional de maneiras além do flashback tradicional, com um programa de TV chamado American Hero Story: Minutemen e referenciando a HQ dentro da graphic novel com o enredo de Adrian Veidt.

Personagens traumatizadas

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Um dos aspectos mais elogiados de Watchmen é a maneira pé-no-chão que os vigilantes mascarados são retratados. Nos quadrinhos, os super-heróis são revelados como pessoas que sofreram traumas graves em suas vidas; um grande fator para se tornarem quem são. Em Watchmen da HBO, as novas personagens não são diferentes.

A série explora como esses vigilantes acabam por trás da máscara, concentrando-se em seus piores momentos. Ao fazer isso, Lindelof implica que ele concorda que os indivíduos que escolhem a vida de vigilante geralmente são compelidos por seu passado sombrio.

Questões atuais

Watchmen (FOnte: Divulgação)

Nos anos 80, uma preocupação significativa era uma possível guerra nuclear entre os EUA e a União Soviética. Estabelecendo a história em 1985 em uma realidade alternativa com super-heróis, Moore usou Watchmen para explorar as ansiedades da Guerra Fria. Influenciado por Moore, mas não querendo copiá-lo, Lindelof mudou a história para 2019 e se concentrou em uma questão atual: a supremacia branca.

Ao longo da série, Lindelof explora o tópico com lições de história, enredo e personagens. Como Moore, Lindelof usou uma história de super-herói para explorar os problemas reais ao seu redor.

Incentiva discussão

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Não é uma coincidência que Watchmen é focada nas ansiedades mais críticas da sociedade. Em sua essência, a história em quadrinhos sempre foi destinada a levar os leitores a pensar e falar sobre a Guerra Fria sob novos ângulos.

Ao retratar eventos históricos reais em um universo de super-heróis, os espectadores podem ver e interpretar os problemas de hoje a partir de uma lente única. Como a HQ, a série vai além de contar uma história fictícia e incentiva ativamente a discussão sobre eventos reais passados e atuais.

Ousadia

Watchmen (Fonte: Reprodução)

Em retrospectiva, Watchmen era renomado porque ousou fazer o que muitos outros quadrinhos não ousariam. Tentando honrar isso ao longo da série, Lindelof não escolheu apenas continuar Watchmen, mas desafiá-lo.

Seguindo o exemplo de Moore, Lindelof e sua equipe não permitiram que o significado do trabalho aclamado no passado os impedisse de correr riscos. Como Moore, eles fizeram o que era necessário para elevar a história.