Titãs (Fonte: Reprodução)
Titãs (Fonte: Reprodução)

Titãs da DC Universe chegou ao final de sua 2ª temporada, com uma 3ª temporada garantida. A série surpreendeu o público na 1ª temporada, apostando em um tom mais sombrio do que as séries baseadas na DC Comics em andamento na CW. Seu segundo ano manteve esse tom, no geral. Mas assim como o primeiro lote de episódios, derrapou na reta final.

De fato, a temporada teve muitos acertos durante seus 13 episódios. Ainda mais considerando que o seu começo já estava marcado para arrumar o grande gancho do primeiro ano. O arco anterior havia ficado incompleto, o que desagradou boa parte dos fãs. Seu primeiro episódio foi inteiramente dedicado ao ano anterior e pareceu mais com um season finale do que como um começo de temporada. Sabendo disso, a série apostou em resolver isso rapidamente. Embora a decisão possa ser questionável, por ter resolvido as coisas de forma muito rápida, isso permitiu que a 2ª temporada “começasse” logo e, mais pra frente, mostrou que ainda haveria consequências do arco de Trigon para explorar.

Então, a 2ª temporada finalmente começou e o grupo dos Titãs começou a ganhar forma. O grande tema desse ano foram as famílias disfuncionais, trabalhando os núcleos separados desses temas: os antigos Titãs, os novos Titãs, a família do Exterminador e a relação de Bruce Wayne, o Batman e Dick Grayson, o ex-Robin. Nesse meio, exploraram também o drama de Conner, o Superboy, que lidava com questões paternais para entender sua identidade e a chegada da família de Kory, a Estelar, que deve ser mais explorada na 3ª temporada.

Com o drama de Grayson ligado diretamente ao da família do Exterminador e o fim dos Titãs, a série conseguiu trazer seu lado mais sombrio de volta e, durante boa parte dela, conseguiu explorar muito bem suas personagens em seu lado não vigilante. Esse, que foi o grande trunfo do primeiro ano, voltou a ser o do segundo. Infelizmente, isso justificou a chegada de um Bruce Wayne que nunca aparece como Batman. E isso foi um problema.

A escolha de Iain Glenn dividiu os fãs assim que foi anunciada. Muitos não conseguiam vê-lo como Bruce Wayne, enquanto outros evocavam aparições clássicas de um Batman mais velho para justificar o ator. Independente de sua aparência, o ator não entregou. Glenn pareceu desconfortável e desleixado com o papel que não foi nem um pouco amparado pelo roteiro, que o viu revivendo o “batusi” e interpretando uma pessoa que faz menos sentido como um vigilante, porém se encaixa no papel de alguém criado por um mordomo inglês. O season finale é, literalmente, um capítulo à parte. Mas vale dizer que sua participação não parece fazer muito sentido com a personagem que nos é apresentada tanto aqui como nas mais diversas mídias. Nunca aparecer como o Homem-Morcego deixa claro que sua participação poderia facilmente ser substituída por Alfred com poucos ajustes do roteiro, mantendo o alto escalão da DC ainda em mistério.

Os episódio se mantiveram com pequenas quebras como a primeira temporada fez. Enquanto no primeiro ano tivemos a quebra para a introdução de Rapina e Columba ou as alucinações de Dick Grayson, dessa vez as quebras acontecem não só com histórias paralelas, como a de Conner, mas com flashbacks. Enquanto as histórias paralelas parecem quebrar demais a série, principalmente quando é assistida um episódio por semana, os flashbacks trazem muito menos a sensação de quebra.

Mas o maior problema da temporada é seu apressado season finale. Ao escolher tratar das personagens fora de seus trajes de combate ao crime, o programa parece não saber o que fazer quando é preciso colocá-los em ação. Tudo se resolve muito rápido, dando a impressão de que a parte boa da série foi somente uma enrolação, preparando o ano seguinte. O episódio final é fora de tom, trazendo muita comédia fora de hora e fora de sintonia com o restante da temporada. A produção também deixa a desejar com o que parece ter sido uma questão de orçamento muito baixo.

Assim como a primeira, a segunda temporada de Titãs fica com cara de promessa, em um final que parece finalmente ter uma equipe formada. Com uma 3ª temporada confirmada, fica nítido que o show precisa entregar algo mais sólido. Ou, então, nunca passará de uma longa promessa.