Por Rafa Yamamoto

As férias acabaram. De fato, foram doze semanas de muita diversão, azaração e, acima de tudo, aprendizado.

Certamente, muitos podem pensar que De Férias com o Ex é um programa de pessoas fúteis sem nenhum objetivo real, além de diversão, brigas e mostrar o que acontece quando pessoas são confinadas com estranhos – e álcool.

DFEx (sim, “De-Féx” soa muito melhor que DFCE) é um experimento social. E essa temporada, fomentada por muito beijo na boca, decepção e, para a alegria do público, brigas, foi a melhor da série.

“Mas o que você quer dizer com experimento social?”

Gabriel, “o único otário”

Vamos começar com a melhor pessoa que já pisou no DFEx: Gabriel. O arco do nosso herói é um dos mais interessantes. Antes louvado pelo público por seu carisma e bom senso, os roteiristas (vulgo tablet) deram um final trágico a ele. Assim, ao reencontrar sua ex, Ana, os sentimentos ainda mal resolvidos tomaram conta da personagem e fizeram com que ele caísse numa busca do seu eu interior e questionasse diversos valores e atitudes tomadas no passado.

Ele indaga: “fui o único otário que trouxe uma ex que ainda gosta”. Seu highlight na casa, sem dúvida, foi a intervenção no desabafo da Tati, quando profetizou “eu nunca vi nada parecido e nunca vou ver, vocês são muito melhores do que (essas brigas, cusparadas na cara e falta de educação).”

“Você é foda”, respondeu Tati aplaudindo.

Tati e melhor briga do DFEx

Tati, inclusive, foi a escolhida para voltar para mais umas férias. Seu começo na casa foi muito bom. Sensata, ensinou os novatos quais eram as tradições da casa e, claro, beijou muito na boca. Entretanto, o público começa a pegar ranço com a entrada de Stéfani. Ali, o Twitter dividiu-se em dois: #TeamTati e #TeamTeté. Discutivelmente a melhor briga já vista na MTV – competindo de perto com João Gordo e Dado Dolabella -, Tati une-se à Bifão contra a “debochada” Teté. O descontrole das três é um presente: bebidas são chutadas aos gritos de “foda-se, eu estou cagando para essa merda” e “eu vou matar essa menina”. Um verdadeiro show.

Stéfani e a expulsão de Pedrinho

Mas o show de Stéfani não parou por aí. Teté também foi a protagonista na expulsão de Pedrinho, o Heric dessa temporada. Sempre no lugar certo, na hora certa, Pedro nunca absteve-se de encontros ocasionais – e somentos aos olhos da câmera — nos banheiros. Foi ali, inclusive, que Pedrinho beijou Teté. Num ato onde, claramente, seu id falou mais alto que o super ego, já que ele tentava ser um homem sério e ficar com Fábia. Fraquejou. Beijou.

Foi numa delação premiada de Teté, proporcionada pelo tablet, que a casa fica sabendo o que rolou. O mundo de Pedro caiu. Sua relação com Fábia vai por água abaixo. Para tirar toda a raiva de seu peito, Teté se torna, novamente, o alvo: “Você é uma filha da puta, sim, vai tomar no seu cu”, gritou Pedro. O resultado? Uma cusparada na cara de Teté e uma expulsão. Pedrinho não faria mais parte do programa.

A expulsão foi outro divisor de águas. Outrora glorificada pela opinião pública, Bifão toma as dores de Pedro e fica do lado de um agressor de mulher, o que não condiz com o seu discurso feminista.

Penetra na festa

Bi também protagonizou outro experimento social, “O que você faria se ninguém soubesse?”. Ao anunciar uma festa, o tablet fez com que a casa explodisse em alegria. Para alguns. Porque nem todos foram convidados. A festa rola, pessoas se beijam, azaração altíssima. Mas uma surpresa aconteceria: Bruno, que não tinha sido escolhido para a festa, aparece. Amado por todos, ele começa a perguntar quem pegou quem. Anotado, os cobaias voltam para casa e o tablet torna a tocar: “Bruno, conte quem pegou quem na festa”. Bi se revolta ao saber que Carlinhos, com quem tinha se relacionado na noite anterior, tinha ficado com sua nêmeses Teté.

Embora Carlos e Stéfani fossem ex, e a razão claramente está do lado dos dois, a emoção de Bi fala mais alto. O tablet comprova: em terra de Saci, chute é voadora. Quando pessoas não preparadas são apresentadas a situações de alto nível de estresse esse é o resultado.

Miguel, o Agroboy

Nível de estresse que explodiu no Twitter com a chegada de Miguel, o Agroboy de Goiás. Seu estilo não foi bem recebido. Segundo Gabriel, “ele é a referência de homem que a sociedade não precisa”. Com menos de cinco minutos de DFEx, ele já tinha caído no ódio das pessoas. “Quem manda nesse porra é nois (sic)”, gritava nos corredores.

No mesmo dia, ao tentar beijar Fábia a força, a casa toda tem que explicar o óbvio: não é não. Ele não entende. Então, em um ato extremamente machista, segura seu saco escrotal e exclama: “Respeita meus culhões”. Apesar de uma entrada desastrosa, aos poucos, Agroboy vai se tornando uma pessoa tolerada pela casa, apesar de desprezível. Ele, que teve seu primeiro emprego como trançador de crina de cavalo, foi compreendido como uma pessoa que teve poucas oportunidades de aprender o que é o mundo de verdade, sem um toque sensível e compreensão da complexidade humana.

Complexidade humana que pode ser vista em todos os personagens e seus arcos durante a temporada. Alguns se redimem, outros se revelam. Mas, no final das contas, DFEx cumpre seu propósito: diversão transvestida de experimento social.

Mais que entretenimento

O sucesso não é por acaso. A decadência e decepção de Game of Thrones e o conturbado cenário político atual do país fizeram com que as pessoas achassem, nas noites de quinta-feira, um refúgio de diversão. DFEx, espero eu, terá um papel importante na construção de um país onde podemos ver, em primeira mão, como o ser humano se comporta ao ser colocado em situações de estresse e sem um objetivo claro de comunidade.

Agradecimento especial para Guilherme, Luís, João, Mariana, Renato e Sandro, que religiosamente assistiram os episódios comigo. Ansioso para a próxima temporada.