A nova temporada da série espanhola que conquistou o mundo (e principalmente o Brasil) chegou ao catálogo da Netflix. E com certeza a ida de La Casa de Papel para o serviço de streaming fez bem para o seu orçamento. Mas só.

La Casa de Papel Parte 3 é de longe a temporada mais difícil de engolir do programa. Megalomaníaca, ela passa do ponto aonde é aceitável uma suspensão de descrença por diversas vezes durante seu percurso. Assim, por mais que sua produção esteja mais interessante do que a anterior, seu enredo se mostra não só improvável como repetitivo.

A temporada pouco se preocupa com o pré-estabelecido nos anos anteriores. Dessa maneira, traz algumas de suas personagens em situações extremamente questionáveis com a narrativa anterior. Não só isso, como descarta completamente alguns fatos, como a notoriedade de alguns dos assaltantes antigos e o fato de que a polícia conhece seus rostos, e que isso fez deles alguns dos criminosos mais reconhecíveis em todo o planeta, por pura conveniência para a história.

O jogo de xadrez entre os mentores do crime e a polícia também nunca foi tão desinteressante. Não há absolutamente nada de novo na equação, há não ser a localidade. Por isso, o show acaba perdendo sua força, essência e elegância. Mesmo repetindo sua fórmula.

O número reduzido de episódios poderia ser um acerto. E de certa forma, é. Afinal, você passa menos tempo consumindo o programa. Mas o que deveria ser uma desculpa para a série eliminar sua gordura e ir direto ao ponto se mostra uma armadilha para deixá-la terrivelmente apressada.

Nada pode se falar da produção, da direção ou da atuação que seja ruim. A edição, diferente das primeiras temporadas, fica menos confusa agora que a Netflix não teve que operar o programa para se adequar ao seu modo de fazer televisão. Mas o forte de La Casa de Papel certamente era o seu roteiro. Infelizmente, não é mais.