Linda Fairstein e sua representação em Olhos que Condenam, por Felicity Huffman (Fonte: Reprodução)
Linda Fairstein e sua representação em Olhos que Condenam, por Felicity Huffman (Fonte: Reprodução)

Trinta anos após o caso criminal que separou Nova York e alterou para sempre as vidas de cinco jovens inocentes, a ex-promotora de crimes sexuais de Manhattan, Linda Fairstein, está começando a sentir o calor por seu envolvimento no caso do “Central Park Five“. Dessa maneira reporta a IndieWire.

Isso acontece devido ao recente lançamento da minissérie Olhos que Condenam na Netflix, de Ava DuVernay. Shadow and Act relata que Fairstein, “uma das figuras centrais responsáveis ​​pela acusação injusta e encarceramento” de Korey Wise, Antron McCray, Kevin Richardson, Raymond Santana e Yusef Salaam “está rapidamente sendo removida ou demitindo-se de suas posições em conselhos, grupos e muito mais”.

Assim, retalhistas estão sendo aconselhados a “parar de se importar com os verdadeiros romances policiais que ela escreveu baseados em seu tempo como promotora”. Na série, a suposta coerção de Fairstein dos cinco jovens conhecidos como o Central Park Five, que resultou na emissão de falsas confissões sobre o assalto de 1989 e o estupro de Trisha Meili, é grande parte do enredo.

A reação da promotora

Dessa forma, o The New York Post revela que Fairstein demitiu-se de “vários conselhos sem fins lucrativos, na sequência de uma controvérsia provocada” pela série de notícias. Além disso, o Post acrescenta que, em uma carta de demissão enviada à Safe Horizons, uma “agência de serviços às vítimas”, Fairstein escreveu: “Eu não quero me tornar um pára-raios para causar danos a essa organização, por causa daqueles que atacam meu histórico de lutas. justiça social há mais de 45 anos”.

Portanto, segundo o jornal, Fairstein disse que “ela enviou cartas parecidas renunciando sua posição na God’s Love We Delevery; a Joyful Heart Foundation, fundada pela atriz Mariska Hargitay para ajudar sobreviventes de agressão sexual, violência doméstica e abuso infantil; e o Vassar College, na qual Fairstein se formou em 1969”. Ainda na declaração fornecida ao Post, Fairstein falou sobre a nova série, dizendo que “me descreve, em uma versão fictícia de eventos, de uma forma grosseira e maliciosamente imprecisa”.

Criadora da minissérie quis a participação de Fairstein

DuVernay disse ao The Daily Beast que ela tentou se encontrar com Fairstein para discutir o projeto antes que ele entrasse em produção. Mas Fairstein aparentemente tinha sua própria agenda.

“Não sei se já contei isso a alguém. Mas ela tentou negociar condições para que ela falasse comigo. Incluindo aprovações sobre o roteiro e algumas outras coisas”, revelou a criadora do programa. “Então você sabe qual foi a minha resposta para isso, e nós não conversamos”.

As renúncias de Fairstein vêm na sequência do movimento #CancelLindaFairstein, que tomou conta das redes sociais, juntamente com uma petição criada pedindo sua remoção do conselho de Vassar. A petição atingiu 15.000 assinaturas antes da renúncia. E pelo menos alguns dos protestos parecem ter vindo diretamente das organizações de que Fairstein fazia parte.

A TMZ relata que, no caso da Safe Horizon, “um punhado de ex-membros e atuais disse que a posição de Linda no conselho de diretores era conhecida por ser muito criticada por muitos funcionários”. Apesar do recente aumento na reação centrada em Fairstein, os problemas da ex-promotora começaram antes mesmo de a série, baseada em fatos reais, chegar ao catálogo da Netflix. No ano passado, a Mystery Writers of America anunciou que a homenagearia com um de seus prêmios “Grão-Mestre” para realização literária. Fairstein escreveu mais de 20 romances policiais sobre a promotora de ficção Alexandra Cooper, que é vagamente baseada na própria Fairstein. Contudo, a controvérsia estourou e, em dois dias, a honra foi retirada, segundo o The New York Times na época.