Peter Dinklage como Tyrion Lannister em Game of Thrones (Fonte: Reprodução)
Peter Dinklage como Tyrion Lannister em Game of Thrones (Fonte: Reprodução)

Decerto, Game of Thrones teve bons manipuladores no jogo dos tronos durante suas 8 temporadas. Talvez os mais explícitos desde o começo tenham sido Mindinho (Aindan Gillen) e Varys (Conleth Hill), ambos condenados por traição. Mas no final da série, o nome que fez uma oferta de última hora para ser considerado o maior manipulador de todos foi Tyrion Lannister (Peter Dinklage).

De fato, Tyrion tem sido uma das personagens protagonistas desde o início. Contudo, suas ações na série podem ser consideradas egoístas. Além de bastante eficazes. É só analisar bem de perto. Assim, vamos olhar de outro ângulo para o series finale.

No início de The Iron Throne, ele está enfrentando a morte quase certa por trair Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). Ironicamente, seu mais recente de tantos erros. Mas usando apenas sua inteligência ele consegue neutralizar sua ameaça. Além disso, contando com um tanto de sorte, se coloca a caminho de uma posição confortável no Pequeno Conselho do novo rei, Bran, o Quebrado (Isaac Hempstead-Wright) .

“E suas irmãs?”

Depois de Dany jogar Tyrion na prisão por traição, Jon Snow (Kit Harington) vem visitá-lo em sua cela. Aqui é onde o plano engenhoso de Tyrion começa. Mesmo que Jon esteja apaixonado por Dany e tenha prometido sua lealdade a ela, Tyrion usa sua lábia para convencê-lo de agir de outra forma. Jon sai da cela do anão com a certeza de que Daenerys é uma força de destruição com a qual não se pode dialogar. Não que ele estivesse errado. Mas o argumento decisivo é que se Jon não a impedir, ela vai matar ele e suas amadas irmãs.

Tyrion molda magistralmente o debate como um com apenas uma resposta: Jon deve matar Dany. Jon está em um momento bastante suscetível, além de respeitar a inteligência de Tyrion. Mais uma para a conta de seus cálculos brilhantes. Assim, o discurso de Tyrion faz com que ele deixe de lado seu amor por Dany… E, pela primeira vez agindo de maneira desonrada, finge aceitar a proposta de futuro de Daenerys somente para lhe colocar um punhal entre as costelas.

No entanto, só porque Dany está morta, não significa que Tyrion estaria livre. Na verdade, ele ainda está na prisão quando é levado por Verme Cinzento até uma coleção de lordes e senhoras de Westeros, que estão tentando decidir os próximos passos do reino na ausência de Dany. É assim que um acorrentado Duende joga sua última carta.

“Não cabe a você tomar essa decisão”

Com apenas uma frase, ele dá um nó na cabeça do comandante dos Imaculados. O soldado, sempre acostumado a obedecer, se vê em um dilema de não ter uma ordem expressa de sua Rainha. Então, Tyrion propõe que os lordes ali reunidos escolham eles mesmos um representante. E sua indicação é ninguém menos do que Bran Stark.

Vale lembrar que Tyrion havia conversado com o garoto sobre sua jornada nas lareiras de Winterfell. Além de já respeitar o garoto há muito tempo, Bran pode ter contado para o Meio-Homem toda a sua jornada, como o anão lhe pediu. O argumento de que Bran não poderia ter herdeiros, só serviria a seu favor, já que Tyrion propõe a tão falada “quebra de roda”.

Mas ele é um prisioneiro! Como ele está conseguindo decidir isso? De qualquer forma, os pessoas parecem gostar da ideia. Muito mais do que a ideia do presunçoso Edmure Tully e do inocente Samwell Tarly, pelo menos. Não só elas aceitam a indicação, como assentem quando Bran escolhe como sua mão o próprio Tyrion!

Então, quando Game of Thrones conclui, Tyrion está vivendo uma grande vida, liderando uma reunião do Pequeno Conselho do Rei Bran e contando piadas sobre jumentos e favos de mel. Tyrion poderia estar morto. Mas de alguma forma, seu dom de falar levou-o da execução iminente para se tornar o conselheiro mais confiável da pessoa mais poderosa em Westeros. Pela 3ª vez, já que ele foi mão tanto de Joffrey (substituindo o pai, Tywin) quanto de Dany.

Bela jogada!