Perdidos no Espaço (Fonte: Reprodução)
Perdidos no Espaço (Fonte: Reprodução)

O novo lote de episódios de Perdidos no Espaço chegou ao catálogo da gigante do streaming Netflix. Seguindo novamente a família Robinson em sua missão de sobrevivência pelo espaço, a série não traz muita novidade de seu primeiro ano. Pelo contrário, trabalha com um certo mais do mesmo que pode até agradar aos fãs.

Desde a primeira temporada, a série tenta renovar o seriado original, trazendo-o para um molde mais aceitável na televisão atual. O programa também é bem adaptado para o streaming, o que pode tirar um pouco de sua força. Seguindo a lógica que imperava em sua estreia, o show contava uma longa história em seus 10 episódios. Na segunda temporada, poderíamos dividir um pouco desse processo, talvez em dois ou três arcos. O problema, é claro, é que isso o deixa com cara de atos, dando a entender uma grande história novamente.

Não há dúvida de que o seriado poderia ser trazido para a televisão atual. No entanto, a 2ª temporada pode fazer o público questionar se ele deveria ter seguido a lógica do streaming. Em 2019, com a chegada de The Mandalorian e, principalmente The Witcher, que está na mesma casa que a série, é nítido que tratar cada episódio como uma história a parte, sem deixar de lado o desenvolvimento da trama da temporada e sem abusar do “monstro da semana”, como a televisão exigia há não muitos anos atrás, pode ser feito. E, no caso de Perdidos no Espaço, deve.

O grande trunfo da série é colocar a família Robinson em situações de aperto ocasionadas por ameaças extra-terrestres. Quando vemos, por exemplo, as personagens precisando transformar uma nave em um barco à vela, ou lidar com um vírus de ferrugem alienígena. Infelizmente, muito do show é passado dentro das espaçonaves. Uma lógica mais episódica, mais próxima da série original, fazendo com que eles passassem de planeta em planeta a cada capítulo, poderia trazer uma sensação mais interessante e muito menos claustrofóbica para o show.

Há de se destacar as atuações de Molly Parker como Maureen Robinson e Taylor Russell como Judy Robinson. Parker Posey, que havia se destacado mais no último ano, peca um tanto nesse novo ano. Após sua personagem ser descoberta como uma vilã pelos Robinson, ao final da primeira temporada, sua atuação acabou reproduzindo demais o estigma, mostrando uma instabilidade um tanto exagerada demais.

Perdidos no Espaço mostrou, não só nessa temporada, que consegue trazer o extraordinário à vida de uma forma impecável. Falta ao show, em uma possível 3ª temporada, explorar ainda mais disso. A 2ª temporada é interessante e cumpre bem a sua função; enquanto o primeiro ano se prendeu demais a um único planeta, este se prendeu demais a se manter no espaço. Resta equilibrar essa fórmula para que a série aproveite o seu melhor.