Drácula (Fonte: Reprodução)
Drácula (Fonte: Reprodução)

Depois do sucesso Sherlock da BBC, Mark Gatiss e Steven Moffat voltam para a emissora, em parceria com a Netflix, para trazer Drácula, adaptando a obra literária de Bram Stoker em moldes parecidos com os que usaram para adaptar os livros de Sir Arthur Conan Doyle. E esse é, justamente o seu maior trunfo, e o seu maior problema.

Assim como a série sobre o detetive inglês, o novo show da dupla de criadores se apoia em poucos episódios. Porém, episódios com durações de quase um longa metragem. Certamente, um formato fora do padrão atual. Ainda assim, muito funcional. No entanto, é difícil entender a lógica de sua exibição.

É verdade que Sherlock, que seguia a mesma lógica, deixava os fãs sedentos por um novo episódio, visto que suas temporadas distribuíam seus três ou quatro episódios ao longo de um ano, e nem todo ano lançava um novo lote de episódios. Mas ter suas quatros horas e meia, que não é muito, comparado ao cenário geral de, pelo menos, mais de seis horas de conteúdo, distribuídas de uma vez pode não ter feito muito bem ao programa.

É fácil entender o pensamento por trás disso, uma vez que a série toda tenha sido assistida. Principalmente depois da reação do público, que não gostou nem um pouco da mudança do segundo para o terceiro episódio. Em uma tentativa de segurar a surpresa, o programa acabou acostumando o público com uma ambientação, melhor colocada para a personagem. Já o terceiro episódio acaba parecendo um spin-off de Lucifer. Pela temática e tom, crossovers em fanfics sejam, talvez, inevitáveis.

Com seu twist, se é que pode ser considerado assim, Drácula pode ter desagrado boa parte do público. Mas isso não faz da série algo menor. Seu enredo é coeso e consegue ser respeitoso ao mesmo tempo em que ousado. Pensando em sua estrutura, ele funcionaria perfeitamente como uma trilogia de filmes. O primeiro agradaria aos conservadores e aos progressistas. O segundo dividiria opiniões com seu final. O terceiro fica por conta do espectador dizer se lhe agrada ou não. Ainda assim, é tecnicamente tão bom quanto os outros.