The Crown (Fonte: Reprodução)
The Crown (Fonte: Reprodução)

No último domingo (17) chegou a Netflix a terceira temporada de um de seus grandes sucessos: The Crown.

Com novos atores, incluindo Olivia Colman – a mais recente vencedora do Oscar de Melhor Atriz (curiosamente também pelo papel de rainha da Inglaterra) – como Elizabeth II, e Helena Bonham Carter como a princesa Margareth, The Crown apresenta uma temporada muito menos política e mais focada na vida pessoal de suas personagens.

Decerto um reflexo histórico, esse da realeza perder sua importância política e ser cada vez mais simbólica, a terceira temporada de The Crown utiliza uma tática muito comum às séries mais longevas da Netflix. E é aí que provavelmente mora o maior erro dessa temporada.

Nela, vemos mais personagens coadjuvantes sendo aprofundados para que seu peso na trama seja tão grande quanto a da protagonista (no caso, a rainha). Episódios voltados para a Princesa Margareth. Um sobre o Duque de Edimburgo. Um sobre Lorde Mountbatten (interpretado por Charles Dance, o Tywin Lannister de Game of Thrones). Também temos episódios – bastante interessantes, por sinal – dedicados ao Príncipe Charles, que deve se tornar cada vez mais central nas temporadas posteriores da série. Dessa maneira, a produção pode alcançar uma maior longevidade por ter mais sub-tramas a serem abordadas. Porém, ao mesmo tempo, a sensação que fica é que a temporada carece de um arco principal.

Inegavelmente com uma opulenta produção, uma das mais impecáveis da Netflix, por sinal, apesar do roteiro um tanto enfadonho em algumas das tramas pessoas – à exceção dos ótimos episódios voltados para a Princesa Margareth e para o Príncipe Charles, as atuações são bastante consistentes. Destaque para a sempre primorosa Olivia Colman e as ótimas performances de Helena Bonham Carter (Princesa Margareth) e Josh O’Connor (Príncipe Charles). Ainda que tenha seus breves acertos em tentar trazer a trama para um lado mais intimista, a série parece deixar de lado alguns temas cruciais da época em que se passa.

A Guerra Fria foi um tema apenas tangenciado, abordada praticamente em apenas um episódio. A relação entre Inglaterra e os outros países do Reino Unido, abordada também em apenas um episódio (o melhor da temporada, por sinal, fazendo um paralelo sobre a situação de Charles e do País de Gales). Isso sem contar as tramas políticas que parecem surgir majoritariamente em pequenos diálogos. Enquanto os monarcas assistem a televisão… Nos breves diálogos da rainha com seus primeiros-ministros… E sempre que ela precisa intervir politicamente, tudo parece se apressar. Seja em um telefonema contra um possível golpe de estado. Seja em uma apresentação de duplo sentido em uma galeria de arte. Os desfechos parecem demasiadamente breves para tramas absolutamente complexas.

Em resumo, nessa terceira temporada, The Crown tem menos a atmosfera de unidade e mais um foco em episódios que parecem mais isolados. Isso pode, sim, ser uma preparação de terreno para o que virá. Mas é bastante provável que nas próximas temporadas encontremos dramalhões cheios de papparazzi entre Charles e Lady Diana, por exemplo, e menos as tramas políticas tão intrigantes de suas primeiras temporadas.