Stranger Things 3 (Fonte: Reprodução)
Stranger Things 3 (Fonte: Reprodução)

Stranger Things 3 chega na Netflix após um longo hiato somente para justificá-lo. A série nostálgica de terror da Netflix mostra um terceiro ano mais maduro como série, possibilitado pelo seu sucesso. O universo do show é expandido, sua mitologia aprofundada e sua fórmula refinada, de forma que fica ainda mais definida ao mesmo tempo em que se repete de maneira orgânica.

Os estranhos acontecimentos de Hawkins voltam mais uma vez aos poucos, obrigando suas personagens a reviver suas investigações, cada grupo de uma peça do quebra-cabeças, somente para todos se encontrarem no final com o mesmo mistério. Dessa vez, como foi prometido pelos envolvidos, maior, mais violento e mais maduro.

A temporada conseguiu ultrapassar os anos anteriores do show em basicamente todos os seus aspectos. Seu roteiro melhora, mesmo repetindo a proposta de sempre. Com as personagens melhor estabelecidas, o show abre espaço para desenvolver narrativas sobre amadurecimento (em diversas idades), luto, gênero e orientação sexual. Ainda que não se aprofunde tanto. Afinal, o mundo está para acabar a qualquer momento.

Mais aterrorizante do que nunca, a série realmente se torna mais adulta com o novo ano. Não só pela idade das personagens. Mas cenas fortes, dignas de clássicos de David Cronemberg. Ao mesmo tempo, abusa mais do humor. Contudo, nesse aspecto, embora acerte muitas vezes, acaba exagerando em algumas outras, saindo levemente do tom.

A chegada de 1985 propõe uma Hawkins mais colorida, aliada, é claro, do verão. Isso permite que a fotografia seja mais marcante, aliando o figurino à iluminação. Além disso, a movimentação da câmera também ganha maturidade, mostrando uma série mais consciente de si. O sucesso da série a permitiu melhorar muito sua produção. Decerto o maior hiato entre essa e a última temporada também deve ter ajudado na pós-produção.

Winona Ryder e Millie Bobby Brown continuam como destaques de atuação, dessa vez ao lado de Joe Keery, que traz pela terceira vez um novo Steve Harrington sem perder a essência da personagem, que dessa vez serve mais como alívio cômico graças ao novo paradigma no qual se encontra. Também graças ao seu sucesso, por mais que tenha diversas referências aos clássicos do audiovisual dos anos 80, consegue também referenciar a si mesma diversas vezes.

Assim, Stranger Things traz a sua melhor temporada, se consolidando sua narrativa, sua mitologia e seu lugar como série. Certamente mais objetiva, acaba por não responder tudo o que uma segunda temporada mediana deixou no ar. No entanto, deve satisfazer os fãs com saudade das personagens e das tão estranhas coisas de Hawkins.