Saint Seya: Os Cavaleiros do Zodíaco é a mais nova adição animada do catálogo da Netflix. O remake chega com cara de reboot e com um gostinho especial para os assinantes brasileiros. Afinal, o clássico anime foi um dos mais populares em sua época, que marcou a entrada dos desenhos japoneses na cultura pop nacional.

Certamente a Toei Animation e a Netflix tiveram de fazer diversas escolhas ao trazer novamente o programa para o ar. Entre elas, alguns acertos e alguns que podem comprometer a aceitação dos fãs mais antigos. Mas se uma coisa fica clara, é a participação do streaming na nova empreitada. Assim como fez com She-Ra e as Princesas do Poder e Carmen Sandiego, a empresa nitidamente está preocupada em atingir um público mais infantil (de fato, há muito menos sangue) e atual. E sua maneira de fazer isso começa a se padronizar em uma fórmula.

Mesmo com muito material para se basear, seja no icônico anime ou mesmo nos mangás, os estúdios escolheram por trazer apenas 8 episódios de pouco mais de vinte minutos. Decerto que esse pode ser um problema para a audiência infantil. Isso porque esta costuma ter mais tempo para assistir aos desenhos e, ter de esperar por intervalos que normalmente levam mais de um ano por um leva de apenas 8 episódios pode desincentivar o consumo.

A animação tem é um pouco controversa. A primeira vista, sua atualização parece interessante. De fato, é. Contudo, as personagens perdem um pouco de sua emoção. O que acaba se acentuando pelo novo ritmo da trama. Sem espaço para as habituais pausas dramáticas que ocorriam com closes banhados por uma trilha sonora quase épica. Outro ponto fraco da animação é que ela parece um tanto dura, dando a impressão que a adição de um pouco mais de overlapings poderia resolver isso facilmente.

No mais, o novo anime faz um ótimo trabalho de atualização. Seus conceitos são modernizados de uma boa maneira. Por exemplo, ao invés de carregar a armadura em tamanho real em suas costas, a enorme caixa que as guardam se torna um pequeno pingente. Além disso, a polêmica troca de gênero de Shun descaracteriza menos a personagem do que o público estava imaginando. Um ponto interessante da dublagem foi trazer Úrsula Bezerra (irmã de Ulisses Bezerra, o dublador original da personagem) para interpretar Shun. Sua voz, trabalhada próxima da que a artista de voz usava ao viver Goku ou Naruto, ajuda a manter um aspecto um tanto andrógeno para a Cavaleira de Andrômeda.

Muitas das vozes que ouvimos nessa animação continuam as mesmas. Um acerto da versão brasileira. Afinal, diminui o estranhamento do antigo público. Ao mesmo tempo, traz artistas já conscientes de suas personagens para a nova geração de fãs. Mas dessa vez, com um quê mais de brasilidade, com terminologias mais comuns ao público nacional.

O maior problema de Saint Seya: Os Cavaleiros do Zodíaco é que ele deixará o espectador querendo mais da série. E quando esse é o maior problema, não há muito do que reclamar. A nova animação é uma ótima atualização do anime. Assim, deve agradar ao público mais jovem. Além de trazer uma série animada nova para os fãs mais velhos. Sem, é claro, deixar de lado a nostalgia.