Enrique DIaz como Roberto Ibrahim e Selton Mello como Marco Ruffo em O Mecanismo (Fonte: Reprodução)
Enrique DIaz como Roberto Ibrahim e Selton Mello como Marco Ruffo em O Mecanismo (Fonte: Reprodução)

O Mecanismo chegou com a sua 2ª temporada que, por incrível que pareça, foi a mais arriscada até agora. Depois de um 1º ano controverso, a série volta a Netflix para sua ficção baseada em fatos reais. Contudo, a mudança de de panorama é perceptível.

A dificuldade de contar uma história tão complexa quanto os esquemas da corrupção brasileira já foi inclusive comentada pelos atores da série. Por ser uma história sem fim, dado seu passado recente e aspecto de fluxo interminável como vetor contínuo que é a História em si, a série perde seu foco principal, na ânsia de um confronto com a situação, recentemente alterada no país.

Portanto, a análise do mecanismo de corrupção é quase que deixado de lado. Assim, seu aspecto novelesco continua prestando um desserviço para com a informação. Mas, se isso não é o ponto principal a ser analisado, tampouco o resto se salva.

A direção de atuação continua fraca. O elenco apresenta um clima duro e cru que pouco condiz com o que é mostrado pela câmera. O que antes poderia ser visto como uma boa produção, perde todo seu clima. No entanto, continua insistindo em se ver com um aspecto noir. O que só traz mais erros.

A narração de Selton Mello, anteriormente criticada por ser feita quase que como um sussurro, é um dos piores pontos da série. Cheia de máximas dignas de Stallone Cobra, as colocações da personagem chegam a ser engraçadas.

Ainda há de se dizer que houve toda uma mudança na narrativa das personagens. É mais um problema evidenciado de uma narrativa que se propõe a escolher heróis que decepcionam posteriormente fora das telas ou vilões que nitidamente não foram tão vilões assim.

Como a política do Brasil em sua realidade, a série é confusa. E não consegue fazer com que ninguém siga um pingo de lógica dentro de sua complexidade. Além disso, as tramas individuais, que poderiam se sobressair nesse caso, são totalmente desinteressantes.