Drácula (Fonte: Reprodução)
Drácula (Fonte: Reprodução)

Apesar de uma ótima estreia na BBC, a série Drácula, distribuída no Brasil pela Netflix, foi perdendo público conforme seus episódios foram exibidos na televisão britânica. Os fãs se incomodaram com o andar da trama, que mostra o Conde Vlad em sua jornada da Transilvânia para Londres. Uma recepção que certamente faz os fãs de Game of Thrones, da HBO, repensar se o final da série foi tão ruim assim,

O final do segundo episódio subverteu a obra literária de Bram Stoker, mostrando o vampiro emergir da água 123 anos após seu naufrágio forçado para continuar seu império de imortalidade na Inglaterra em pleno 2020. Apesar do segundo episódio mostrar uma interessante abordagem de um crime de quarto fechado, o público ainda não se recuperou da aparição de um helicóptero iluminando Drácula (Claes Bang) na praia. E daí pra frente, a trama perde sua força.

De fato, o fim de Game of Thrones foi bagunçado. Apesar da série ter caído de nível visivelmente após a 5ª temporada, coincidentemente ou não no momento em que os showrunners David Benioff e D.B. Weiss deixaram de lado a saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, o público insistiu na série. Mas não conseguiu perdoar uma 8ª temporada apressada em terminar um épico que sempre distribuiu seu tempo de forma que suas personagens fossem bem trabalhadas. Ainda mais levando em conta que a produção desse ano, com episódios menores, levou o dobro de tempo das temporadas anteriores.

É claro que decisões como Jon Snow (Kit Harrington) matando Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), a guinada da Mãe dos Dragões para Rainha Louca, Tyrion Lannister (Peter Dinklage) como Mão do Rei após a morte de Dany ou mesmo Arya Stark (Maisie Williams) desistindo de seu MacGuffin à iminência de alcançá-lo se tornaram decisões questionadas. Mas há de se dizer que, em menor ou ainda menor grau, houve prenúncios para elas. A questão ficou muito mais em relação à jornada percorrida.

O caminho entre o ponto A e o ponto B foi muito mais um salto. Assim, vimos guinadas repentinas, que não deram para o público o tempo de assimilar e apreciar seus heróis caindo em desgraça ou vilões se redimindo. Drácula adota um modelo similar, o salto de sua narrativa é muito mais casual e não procede com a narrativa coesa de seus dois episódios anteriores.

Ao menos, por pior que tenha sido o fim de GoT, ali havia uma grande história. Drácula se perde ao alterar drasticamente a essência do show em sua conclusão. Afinal, se os showrunners Mark Gatiss e Steven Moffat simplesmente jogassem Sherlock Holmes no futuro, tudo pareceria fora do lugar. Drácula poderia sim ter uma versão no futuro (ou melhor, no presente). Mas a série precisaria ir mudando aos poucos os tons de seus episódios para que isso não desagradasse o público em geral.

O salto temporal não se encaixa com anda mostrado anteriormente na série. E só piora quando sua consequência é ver Drácula preso para conduzir experimentos sanguíneos para avanços científicos. Resumindo, Vlad vira um rato de laboratório, em uma cela na qual se esperaria ver um vilão de James Bond, Hannibal Lecter ou mesmo Doutor Manhattan. Nesse momento, é de se perguntar porque os criadores resolveram abandonar a essência do show para priorizar o estilo banal de Lucifer.