Watchmen (Fonte: Reprodução)
Watchmen (Fonte: Reprodução)

Com uma pontuação de 96% da crítica e uma pontuação de 46% da audiência, a opinião pública sobre Watchmen, da HBO, está visivelmente dividida. Os críticos aplaudem Watchmen pelas avenidas artísticas e criativas que Damon Lindelof viaja. Eles gostam de como ele enfrenta o racismo, a corrupção e o controle de armas, coisas que são lembradas em 2019.

Então, por que o público acha que Watchmen é 50% pior que o crítico médio diz ser?

Os puristas de Alan Moore

Desde que os comunicados de imprensa foram lançados para Watchmen, um punhado de partidários de Alan Moore deram as respostas para o porquê da sequência da HBO ser uma “desgraça”. Eles dizem coisas como:

“Há uma razão pela qual Alan Moore não colocou seu nome neste projeto. O filme foi horrível. Então, por que se preocupar com outra tentativa esfarrapada? A história em quadrinhos era muito específica quando foi lançada em 1986… O que faz você pensar que pode ser adaptada hoje?”

Essas pessoas pensam, e tem direito de fazê-lo, afinal, que a história em quadrinhos é perfeita como é. Eles não querem prequels, sequências, adaptações, continuações ou “remixes“. Eles podem estar certos. Por que Lindelof não fez seu próprio show, com tudo, menos as lulas, as máscaras de Rorschach e Robert Redford?

Não leram o quadrinho

Watchmen é uma história em quadrinhos complicada. Moralmente confuso, simbólico e político, é o tipo de literatura que deixa uma impressão duradoura nos leitores. Quer eles a amem ou odeiem.

Lindelof, criador da série da HBO, é leal aos quadrinhos, e está dirigindo o programa dessa perspectiva. Ele tenta preencher as lacunas para as pessoas que não leram os quadrinhos. Existem manchetes de jornais como Adrian Veidt declarado morto. Há tributos para Richard Nixon nas salas de aula e nos trailers. Existem anúncios para um programa de TV sobre os primeiros vigilantes da América, como Justiça Encapuzada e Espectral. Ficou estabelecido desde o início que o Vietnã é parte dos Estados Unidos.

Mas essas pistas aparecem rapidamente na tela. Sem ler Watchmen antes de assistir Watchmen, o espectador comum está entrando em uma festa surpresa. O show, como a história em quadrinhos, é muito surreal ou sutil para o gosto deles.

Debate político

Decerto, o grupo mais significativo de pessoas que não gosta de Watchmen é aquele que não pode debater adequadamente sobre questões políticas ou sociais. Essas pessoas têm crenças políticas extremas em lados opostos do espectro. Mas são iguais.

Ambos os tipos de pessoas neste grupo concordam que o politicamente correto vai além de respeitar as pessoas marginalizadas. Mas o problema começa quando um lado entende que isso significa envergonhar as pessoas que têm opiniões controversas ou inaceitáveis nas mídias sociais. Para o outro lado, o politicamente correto é um sintoma de uma geração excessivamente sensível de pessoas e um constrangimento inconstitucional em seu discurso.

Essas pessoas não podem debater sobre política. Eles não conseguem ouvir e responder a pessoas com crenças diferentes. Ao invés disso, eles perdem a paciência e tentam acabar com a conversa, mudando o foco do assunto, repetindo máximas ou ironizando opiniões quando não conseguem argumentar.

Além, é claro, dos que reviram os olhos ao ver que o programa traz uma protagonista feminina; especialmente uma protagonista feminina negra. Com o mundo como está, Watchmen da HBO é a lula gigante que nos faz perceber que precisamos nos aproximar mais. Mas desta vez, não é um encobrimento. É a verdade escancarada.